Com vocês, o Baixo Voluntários
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NOITE
Com vocês, o Baixo Voluntários
Novas casas transformam área de Botafogo em point de badalação
Novas casas transformam área de Botafogo em point de badalação
Rogério Durst


Fotos André Nazareth/Strana
Depois da última sessão: o Cinemathèque JamClub (acima), misto de bar e casa de shows, e o bar Odorico lotam nos fins de semana com o público que sai das seis salas de cinema do Grupo Estação
Durante anos, os freqüentadores dos cinemas Estação Botafogo e Espaço de Cinema reclamaram do clima de suspense nas calçadas da Rua Voluntários da Pátria, na saída das sessões noturnas. Com razão. O que se via eram comércio fechado, iluminação insuficiente e pouco movimento de transeuntes. Hoje isso é passado. O quarteirão agora experimenta uma nova vida noturna com a abertura de estabelecimentos que têm como público-alvo, em especial, quem sai dos cinemas – nas noites de sexta e sábado, mais de 500 pessoas assistem às últimas sessões das seis salas. Mais recente desses lugares, o Cinemathèque JamClub foi inaugurado no fim de março com um bar no térreo e um palco para shows de samba, choro e MPB no andar de cima. Um de seus criadores é Léo Feijó, dono de várias casas noturnas na cidade, como o Teatro Odisséia, na Lapa, e a Casa da Matriz, em Botafogo. Trata-se do segundo investimento de Léo na área. É dele a Drinkeria Maldita, bar que funciona no mesmo trecho da Voluntários. Abre às 18 horas e, segundo Léo, tem recebido clientela suficiente para só fechar por volta das 5h30 nas noitadas de sexta e sábado.
"Os cinemas são como âncora da Drinkeria e agora também do Cinemathèque", diz ele. "Eu ia ao Espaço e sentia falta de opções próximas para comer e beber ao sair das sessões." Léo não foi o único a perceber o potencial do Baixo Voluntários. No início de 2006, o empresário Paulo Tavares pensava em montar por ali uma sorveteria, que funcionaria durante o dia. Mudou de idéia e abriu o bar Odorico. "Somos vizinhos do Espaço de Cinema, e as pessoas já saem da sessão direto para o bar", conta. O Odorico, que também oferece almoço, tem fechado às 3 horas nos fins de semana, depois que sua clientela esvazia de três a quatro barris de chope. O público é um pouco mais velho que o da Drinkeria: além dos cinéfilos, moradores das redondezas e pessoas que trabalham nas empresas das imediações o elegeram local de happy hour. O corretor de seguros João Lima vai direto do escritório para o bar todas as quintas e sextas. "Aqui é confortável e a gente sabe que não vai encontrar garotada zoando."
O trecho, antes escuro e abandonado, sem dúvida afugentava possíveis freqüentadores. "Mas passou a ter prédios novos, comércio. A área está mesmo se revitalizando", explica Paulo Tavares. "Essa região começou a mudar há 21 anos, quando instalamos o Estação Botafogo no fundo de uma galeria que era horrível", lembra Adriana Rattes, uma das sócias do Grupo Estação. "Vieram para os cinemas novas tribos, jovens, gente da noite", diz Adriana. O entorno, porém, continuava abandonado e ao fim das sessões só havia uma alternativa: pegar algum meio de transporte para sair.
Atualmente, além do Odorico, da Drinkeria e do Cinemathèque, a região tem ainda uma charmosa livraria, a Prefácio; uma delicatessen, Coisas do Interior; e locadoras como a gigante Blockbuster e a simpática O Cinéfilo. Resultado: o comércio tradicional que existia na área acabou lucrando. O botequineiro José Pontes, que comanda o Bar do Pontes, um tradicional pé-sujo nas imediações dos novos bares arrumadinhos, diz que aquele trecho já foi muito maltratado. "Com essas novidades, a freqüência melhora também para mim." Fernando Afonso, estudante da UFRJ na Praia Vermelha, dá sua receita da noite no Baixo Voluntários: "A gente começa no botequim, depois pega um cinema, um show ou passa na Prefácio, que fecha tarde, e termina a noitada na Drinkeria".

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